É hora da campanha boca a boca (Furar a bolha virtual, ouvir e falar, olho no olho)

por      Cesar Locatelli

O poder econômico está onde sempre esteve: do lado oposto. Alunos e Professores da Universidade de São Paulo resolveram fazer sua parte naquilo que consideram a mais efetiva ação para conquistar votos: a campanha boca a boca. Para organizarem os trabalhos, reuniram-se no auditório da Faculdade de Educação.

O professor José Sérgio Carvalho, da Faculdade de Educação da USP, leu o artigo “Lembrai-vos” do professor Flávio Brayner da Universidade Federal de Pernambuco:

 LEMBRAI-VOS! (por Flávio Brayner, 18/10/2018, Jornal do Commercio)

Quando Péricles, o estadista ateniense, pronunciou sua famosa Oração Fúnebre, diante dos mortos do Peloponeso, ele disse que aqueles homens morreram para que a ideia da Polis não sucumbisse: a Polis não era um lugar, mas algo que se levava dentro de si: uma disposição para, através da palavra argumentada, resolver os conflitos humanos.

Quando Abraham Lincoln fez seu famoso Discurso de Gettysburg (1863), diante dos mortos daquela batalha, disse que aqueles homens morreram para que o “governo do povo, pelo povo e para o povo não desaparecesse da face da Terra!”.

Na praça principal dos vilarejos franceses há sempre uma coluna de granito com os nomes dos habitantes que deixaram suas vidas nos campos de batalha, ou que foram fuzilados pelas forças nazistas de ocupação.

Esta lista termina sempre com uma advertência imperativa: SOUVENEZ-VOUS! (LEMBRAI-VOS!). Mas, do que precisamos LEMBRAR? “Passante. Aqui estão registrados em pedra os nomes daqueles que doaram suas vidas para que você pudesse gozar da liberdade das instituições da República Francesa. LEMBRAI-VOS!”.

É disto que precisamos recordar: que somos herdeiros; que as instituições políticas sob as quais vivemos não foram “doadas”; que só é digno da liberdade aquele que sabe conquistá-la; que a conservação e o avanço de instituições democráticas exigem um estado de alerta social permanente.

Estamos às vésperas de uma ruptura que vai exigir dos “herdeiros” um enorme esforço de memória. Foi com o sacrifício de nossos antepassados que a sociedade brasileira reconquistou a democracia (1985), esta crença, ao mesmo tempo frágil e vigorosa, de que a política é arte de convencer (uso da palavra), não de vencer (uso das armas). Não dispomos de nenhuma garantia de que, uma vez colocado o pé na civilização moderna – com suas instituições políticas- não correríamos mais o risco de voltar atrás. “As civilizações, sabemos agora, são mortais!”, dizia Paul Valéry.

Como o Brasil é este estranho país em que a cada 20 anos esquece o que se passou nos últimos 20 anos, é aqui onde o esforço de memória se faz necessário: “Cidadão. Vós que caminhastes para as urnas, saiba que este direito de escolher Vosso destino só foi possível porque muitos brasileiros se sacrificaram para que as instituições democráticas e republicanas não desaparecessem de nosso país. LEMBRAI-VOS!”. Pode parecer estranho, mas é em nome dos caídos do Peloponeso, dos mortos de Gettysburg, dos fuzilados da Resistência francesa, dos desaparecidos da ditadura no Brasil que eu votarei.

Flávio Brayner é professor titular da UFPE e é um cidadão que tem memória!

Ler post completo com vídeo depoimentos aqui (click)

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