Comunidade disse que está com medo e teme novas rebeliões. Justiça determinou a transferência de 45 presos do pavilhão C do presídio, em Araguaína.

Moradores do povoado Barra da Grota em Araguaína dizem estar com medo após a fuga registrada no presídio que leva o mesmo nome do local, no dia 2 deste mês. Ao todo, 28 detentos escaparam pela porta da frente, sendo que nove foram mortos, 16 foram recapturados e três seguem foragidos. A costureira Leunete Matos afirmou que muitas pessoas estão colocando placas de venda nas casas.

A moradora disse que o presídio desvalorizou a comunidade, que ganhou fama de insegura. “As pessoas ficam muito nervosas porque devido morar perto e ter muita criança. No dia que aconteceu, na escola, os meninos ficaram nervosos, teve que chama ruma psicóloga. Para quem mora aqui, desvaloriza o lugar. Tem muita gente que já botou placa de vendas nas casas para ir embora”.

Segundo a Polícia Civil, os conflitos internos entre grupos rivais aumentaram na unidade prisional. Quatro dias após a fuga, um detento foi morto pelos outros presos dentro de uma das celas. O clima ainda é de instabilidade.

De acordo com o Ministério Público, faltam materiais e servidores para atender toda a demanda do prédio, que está com problemas estruturas. O presídio tem capacidade para 480 reeducandos. Antes da fuga, acolhia 493 presos distribuídos em três pavilhões.

Na última sexta-feira (19), a Justiça do Tocantins determinou a transferência de 45 presos do pavilhão C do presídio. A decisão foi tomada após o Ministério Público Estadual solicitar que a quantidade máxima de presos por pavilhão na unidade fosse de 144. O Estado tem 10 dias para cumprir a decisão, mas por ela ser de primeira instância ainda pode recorrer.

A decisão não indica para onde os presos que serão transferidos devem ser levados. O juiz também determinou a realização de uma audiência nesta terça-feira (23), às 17h, com representantes do sistema prisional, do presídio Barra da Grota, do MPE e da Defensoria Pública.

A unidade prisional foi instalada na comunidade Barra da Grota em 2005. O aposentado Pedro Carneiro já morava no local há mais de 30 anos, quando chegaram os novos moradores. Mas ele não reclama da vizinhança.

“Deu medo para muita gente, mas eu não fiquei com medo. Logo eles saíram para o mato, caçando jeito de escapar, para longe. Aqui no Barra da Grota, eles não atacaram ninguém”.

Mas a maioria dos moradores sente medo e insegurança. “Estou muito assombrada ainda. Eu não posso escutar movimento diferente que eu já sinto que é algum preso que pode estar saindo e o pessoal está vindo atrás. A gente fica assustada demais. Qualquer movimento na rua, a gente fica pensando que vai ter outra rebelião aqui”, lamenta a dona de casa Rosa Delina Alves.

A fuga

No dia 02 de outubro, uma rebelião resultou na fuga de 28 detentos do presídio Barra da Grota, em Araguaína. Ao todo, seis pessoas foram feitas reféns, sendo que quatro ficaram feridas e foram deixadas para trás. Os detentos levaram uma professora e um agente prisional, que só foram liberados mais de 24 horas depois.

Por TV Anhanguera

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