Criado pela Lei Estadual n° 1.203, o Parque Estadual do Jalapão (PEJ) completa 20 anos, nesta terça-feira, 12, e se consolida como uma grande reserva da vida do bioma Cerrado e a joia do ecoturismo e do turismo de aventura, não apenas do Tocantins, mas de todo o Brasil.

O Estado possui uma área de 277.621 km², dos quais cerca de 15% são de unidades de conservação, criadas por leis específicas para proteger esses espaços territoriais e os recursos ambientais neles existentes. Administradas pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), essas unidades garantem a preservação de milhares de espécies vegetais e animais.

Anualmente, o Jalapão tem registrado números crescentes de visitantes. Segundo dados do Naturatins, em 2019, as belezas do PEJ foram visitadas por 49.466 turistas, representando um aumento de 14,16% em relação a 2018.

Anualmente, o Jalapão tem registrado números crescentes de visitantes – Daniel Andrade/Governo do Tocantins

Esse crescente foi alterado em 2020, por causa da pandemia causada pelo novo Coronavírus, quando o parque precisou ter as visitas restringidas. Mesmo assim, o ano fechou com um total de 12.433 turistas.

O Jalapão é um lugar de belezas naturais incomuns, capaz de encantar até o visitante mais cético. Entre seus atrativos se destacam as dunas, com suas areias douradas contrastando com os rios de águas cristalinas, e cachoeiras. A paisagem ainda contrasta com formações rochosas, como o mirante da Serra do Espírito Santo e a Serra da Catedral.

O cenário é completo com extensas veredas, onde o buriti e o capim dourado se multiplicam e se transformam na base do artesanato local, que ganhou o gosto do mercado nacional e garante renda para dezenas de famílias tradicionais que habitam o PEJ.

Nesse ecossistema singular, são encontradas diferentes espécies de animais silvestres, como veados-campeiros, tamanduás-bandeiras, antas, capivaras, lobos-guarás, gambás, onças, jacarés, raposas e macacos. Também podem ser encontrados diversos répteis e aves.

Além dos turistas, que procuram o local pelas suas belezas naturais e seus cenários de contrastes, o PEJ também é objeto de estudo de vários pesquisadores do Brasil e do mundo. Segundo o supervisor do parque, Reinaldo Tavares, além de pedidos de autorização para realização de pesquisas de campo, são frequentes as solicitações de acesso ao Parque, para utilização de seus cenários em produções fotográficas (especialmente noivas) e filmagens.

“Já fomos cenário de reality show internacional, novela exibida em horário nobre, diversas reportagens, propagandas e locação para produções cinematográficas. Por isso, o Jalapão fica cada vez mais conhecido, se tornando o destino de férias desejado por muitos”, disse o supervisor, informando que o mês de julho é o que registra o maior número de visitantes no parque.

Anualmente, o Jalapão tem registrado números crescentes de visitantes – Daniel Andrade/Governo do Tocantins

Controle de visitantes

Por se tratar de uma área protegida, com enorme biodiversidade, o Naturatins mantém rigorosa fiscalização para garantir que as visitas, mais numerosas a cada ano, não causem danos irreparáveis ao lugar.

O técnico do Naturatins, Thomás Tanaka, explica que uma das prioridades do parque é garantir que suas belezas possam ser contempladas por todos que desejarem visitá-lo. Entretanto, o PEJ faz o controle de acesso e visitação às Dunas do Jalapão, um dos atrativos turísticos mais procurados. 

“O controle de visitantes é fundamental. Apesar do local ser o principal ponto turístico do Estado, é antes de tudo uma unidade de conservação, por isso precisamos garantir que o número de visitantes não represente nenhum perigo ao local”, reforça Thomás Tanaka.

Já o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Naturatins, Warley Rodrigues, ressalta que a criação do parque foi fundamental para a conservação da biodiversidade em toda a região. “Hoje, a região do Jalapão, onde o PEJ está inserido, representa a maior área contínua de Cerrado do Brasil em alto grau de conservação, inclusive abrigando inúmeras espécies da fauna, algumas ameaçadas de extinção, como o Pato-Mergulhão”, reforça.

O diretor acrescenta que a criação de parques é importante, porque esses espaços, destinados à pesquisa, ao turismo e à educação ambiental, se tornam espaços transformadores da sociedade. “Isso porque um parque guarda uma amostra relevante da biodiversidade daquele local e serve para que a sociedade de forma geral possa conhecer essas áreas de preservação e conservação, que são os parques”, completa Warley Rodrigues.

Jalapão é um lugar de belezas naturais incomuns, capaz de encantar até o visitante mais cético – Daniel Andrade/Governo do Tocantins

Dados técnicos

O Parque Estadual do Jalapão (PEJ) pertence à categoria de Unidades de Conservação de Proteção Integral do Estado do Tocantins, com área concentrada no município de Mateiros, fazendo divisa com o município de São Félix do Tocantins.

Os recursos naturais do parque e de toda a área do Jalapão, bem como a produção artesanal de suas comunidades, são protegidos por meio de ações e projetos encabeçados pelo Naturatins.

O parque conta com uma brigada de combate a incêndios florestais, inspetores, guarda-parque e servidores administrativos. A estrutura tem duas bases, sendo um centro projetado para abrigar pesquisadores e técnicos e a sede administrativa com o Centro de Capacitação e Educação Ambiental.

Acesso

A partir da Capital, Palmas, o acesso terrestre ao Parque Estadual do Jalapão pode ser feito de duas maneiras. Pelo Norte, com acesso pelas rodovias TO-020, trecho Palmas – Novo Acordo (115 km), TO-030, trecho Novo Acordo – São Félix do Tocantins (147 km), seguindo depois pela rodovia TO-110, entre São Félix do Tocantins e Mateiros (79 km).

Pelo Sul, o caminho entre Palmas e o PEJ percorre trechos de rodovias pavimentadas como a TO-050 até Porto Nacional (60 km), que dá acesso à rodovia parcialmente pavimentada TO-255, que passa por Ponte Alta do Tocantins (135 km de asfalto) até atingir o município de Mateiros (165 km de terra).

Fonte: Wanja Nóbrega/fotos: Daniel Andrade/Governo do Tocantins

Edição: Caroline Spricigo

Revisão Textual: Marynne Juliate

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